Santos Dumont ganha ópera-monólogo em estreia mundial na Cidade das Artes pelos 120 anos do voo do 14-Bis


Espetáculo de Cyro Delvizio será apresentado nos dias 23 e 24 de outubro, no Teatro de Câmara da Cidade das Artes, e propõe um mergulho na dimensão humana do Pai da Aviação

120 anos depois do histórico voo do 14-Bis, Santos Dumont volta a ganhar os céus — desta vez, no palco. Nos dias 23 e 24 de outubro de 2026, às 19h, o Teatro de Câmara da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, recebe a estreia mundial da ópera-monólogo “Santos Dumont: 120 anos do voo”, com música e libreto do violonista, compositor e pesquisador Cyro Delvizio.

A primeira récita acontece justamente em 23 de outubro, data que marca os 120 anos do voo histórico do 14-Bis, realizado por Santos Dumont em Paris, em 1906. A coincidência transforma a estreia em uma celebração simbólica da trajetória de um dos personagens mais conhecidos da história brasileira.

Mas a proposta da nova obra vai muito além de uma homenagem ao inventor.

O homem por trás do mito

Em “Santos Dumont: 120 anos do voo”, Cyro Delvizio propõe um mergulho psicológico na dimensão humana do chamado Pai da Aviação brasileiro.

Inspirada nos escritos autobiográficos de Meus Balões, a ópera acompanha os últimos momentos de Santos Dumont no Hotel La Plage, no Guarujá. A narrativa se desenvolve como um fluxo de consciência, transitando entre memória, realidade e devaneio.

A partir desse recorte íntimo, o espetáculo apresenta um Santos Dumont diferente daquele conhecido apenas pelos livros de história: um homem marcado por sonhos, descobertas, inquietações e dilemas diante das consequências de sua própria criação.

“Talvez Santos Dumont seja uma das figuras brasileiras mais conhecidas e, ao mesmo tempo, menos compreendidas. Todos conhecem o inventor do avião, mas poucos conhecem suas inquietações, sua sensibilidade e seu sofrimento de ver sua criação utilizada para fins de guerra. A ópera busca justamente esse encontro: celebrar o herói e revelar o ser humano”, explica Cyro Delvizio.



Ópera, teatro e tecnologia no palco

A montagem combina diferentes linguagens artísticas para construir uma experiência cênico-musical imersiva.

Em cena, João Campelo, no papel do tenor solista, é acompanhado por um conjunto instrumental formado por Cyro Delvizio, no violão; Matheus Queiroz, no acordeão; Paulo Santoro, no violoncelo; Thiago Tavares, no clarinete; e Ana Letícia Barros, no vibrafone e percussões.

A cenografia também assume papel importante na narrativa. Um único elemento cênico modular se transforma em diferentes invenções do aviador, enquanto projeções em hélice holográfica ampliam a dimensão visual do espetáculo.

A trilha sonora parte da tradição operística e incorpora referências da música brasileira em uma linguagem contemporânea. O resultado busca aproximar diferentes públicos de uma linguagem que, embora sofisticada, é apresentada de maneira acessível e sensível.

Uma reflexão sobre sonho, inovação e guerra

Mais do que contar a história do 14-Bis, a obra coloca em discussão alguns dos grandes temas associados à trajetória de Santos Dumont: o desejo de superar limites, a busca pela inovação e as consequências que podem surgir quando uma invenção passa a ser utilizada de maneiras que ultrapassam a intenção de seu criador.

O espetáculo também convida o público a refletir sobre a memória e a construção dos mitos históricos.

Quem foi o homem por trás da imagem do inventor?

O que significava para Santos Dumont assistir ao desenvolvimento da aviação e perceber que uma invenção associada ao sonho de voar também poderia ser transformada em instrumento de guerra?

São questões que atravessam a dramaturgia da ópera e ajudam a construir uma representação mais complexa do personagem.




Cyro Delvizio: mais de duas décadas dedicadas à música brasileira

A nova ópera chega ao palco após outro momento importante na trajetória recente de Cyro Delvizio. Em setembro, o compositor estreou o “Réquiem Guarani-Kaiowá” no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em apresentação com lotação máxima.

Violonista, compositor e pesquisador, Delvizio é integrante fundador do Duo Cancionâncias e desenvolve uma carreira dedicada à música erudita brasileira.

Ao longo de sua trajetória, realizou turnês internacionais, incluindo apresentações no México, e participou do GFA International Convention, nos Estados Unidos. Também estreou obras de compositores como Edino Krieger, Marco Pereira, Ronaldo Miranda, Dimitri Cervo e Ricardo Tacuchian.

Como compositor, possui mais de 70 obras, executadas por orquestras no Brasil e em países como Portugal, França, Alemanha, México, Estados Unidos, Japão e Finlândia.

Entre seus trabalhos está a “Cantata de Ano Novo”, apresentada pela Orquestra Sinfônica Brasileira na Cidade das Artes em 2022, além das óperas “A Peste”, realizada inicialmente em formato online em 2020 e levada aos palcos em 2021, e “Um Homem Amarelo”, de 2023.

Doutor em Artes/Performance Musical pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, mestre em Musicologia pela UFRJ e bacharel em Violão também pela universidade, Delvizio ainda atua como professor substituto na Escola de Música da UFRJ.

Em 2023, celebrou 20 anos de carreira com o lançamento do álbum “Francisco Mignone: Twelve Guitar Studies”, pelo selo japonês Da Vinci Classics.




Uma estreia para celebrar 120 anos de história

Ao escolher 23 de outubro de 2026 para a primeira récita, “Santos Dumont: 120 anos do voo” estabelece uma conexão direta entre o palco e um dos momentos mais emblemáticos da história da aviação.

A obra não pretende apenas recontar o feito do 14-Bis. Sua proposta é olhar para o personagem a partir de suas memórias, seus sentimentos e suas contradições.

Uma oportunidade para revisitar Santos Dumont não apenas como inventor, mas como ser humano — e para transformar 120 anos de história em música, teatro e reflexão.




Serviço

Santos Dumont: 120 anos do voo — estreia mundial

📅 23 e 24 de outubro de 2026
⏰ 19h
📍 Teatro de Câmara da Cidade das Artes — Rio de Janeiro/RJ

🎼 Música e libreto: Cyro Delvizio

No elenco e conjunto instrumental:
🎤 João Campelo — tenor
🎸 Cyro Delvizio — violão
🪗 Matheus Queiroz — acordeão
🎻 Paulo Santoro — violoncelo
🎶 Thiago Tavares — clarinete
🥁 Ana Letícia Barros — vibrafone e percussões

Uma estreia mundial que transforma os 120 anos do voo do 14-Bis em uma experiência sobre memória, invenção, sonhos e os dilemas do homem que entrou para a história como o Pai da Aviação.


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